Não será pecado??




Hoje em dia o pão está na prateleira do supermercado, em mil variedades, formas e sabores, por meia dúzia de trocos. Mas, no tempo em que os animais falavam, antes do pão estava, lavrar a terra, estrumar, semear, mil cuidados de cultivo, sacholada no vizinho que roubou a água, a festa da colheita. E depois moer o grão, peneirar, amassar, o milagre de levedar e, finalmente o pão. Fruto do suor e do trabalho do Homem, o pão assumia estatuto da ordem do Sagrado e era o simbolo maior da ligação e dependência do Homem à terra e à natureza.
Vem isto a propósito da notícia do DN de hoje "Produtores garantem milho para bioetanol". de acordo com a qual Portugal precisa produzir mais 400 mil toneladas de milho para responder às necessidades das unidades de produção de biocombustiveis. Alain Prost, como sabemos grande especialista da Geografia Portuguesa, garante que Portugal tem todas as condições para a produção de biocombustíveis.
Voltando ao milho. Alegadamente (como agora todos aprendemos a dizer à custa da Casa Pia) os biocombustíveis poluem menos que os derivados do petróleo. E eu pergunto: Onde é que começa a contar a poluição? No biodiesel ou na leira de milhão? Alguém fez as contas ao impacto ambiental para a produção do milho que irá explodir nos motores, em vez de cumprir o sagrado designio de se transformar em broa ? Ou ração para as vacas que também são filhas de Deus? Água, fertilizantes, combustíveis, efluentes, .... Quantos litros de água por kilómetro? Quantos ppm de nitratos por kilómetro? Quantos ha de regadio em Alqueva por kilómetro?
Não será pecado?

1 comentário:

Ana disse...

É sempre bom relembrar estas paisagens.
Obrigada.
Parabéns ao fotografo.